Lancheiras adolescentes: desafios de cor, sabor e nutrientes. Parte 3

Vitória Jesus: Goiaba como alimentação na escola.

Por Flavia Ribeiro entrevista a Nutri Adriana Costa e conversa com Vitória Jesus, 17 anos (foto)

Quem pensa que a preocupação com o lanche passa quando os filhos crescem está muito enganado! Os desafios com as lancheiras não estão restritos às crianças pequenas. Crianças grandes, adolescentes e até adultos alérgicos precisam levar seus alimentos para manterem a segurança e a dieta com restrições. A estudante e modelo Vitória Jesus, 17 anos, vem enfrentando o desafio com bom humor, vídeos e fotos nas redes sociais.

Recentemente ela compartilhou com seus seguidores um aperto que passou quando esqueceu a merendeira em casa. Mas a nutricionista Adriana Costa, que nos ajuda neste guia, aprovou a saída que a adolescente encontrou.

Explica Vitória:

“Esqueci a marmita! Então procurei um mercado e comprei a fruta do dia, que foi a goiaba. Não matou a minha fome, mas deu uma aliviada até chegar a casa.”

A nutricionista Adriana elogiou a solução. “Que linda! É uma ótima opção recorrer aos alimentos naturais”, avaliou.

Ela respondeu a nossas dúvidas sobre os lanches para os alérgicos maiores:

Adriana, como manter o lanche da escola fresco?

Adriana Costa – O papel filme ajuda a manter o lanche mais fresco, pois evita o contato com o ar. Quando colocar frutas cortadas no lanche, utilize gotas de limão ou laranja, se puder, para evitar que elas fiquem escuras devido a oxidação.

O papel alumínio pode ser utilizado para embrulhar frutas inteiras. Os sanduíches, se tiver recheios molhados, devem ser transportados dentro de uma caixinha com tampa.

As lancheiras térmicas são ideais para transportar o lanche com mais segurança, mas se o calor estiver exagerado peça à professora para guardar os alimentos na geladeira da escola. Algumas marcas de lancheiras mantém o lanche em torno de 2 horas, existem até lancheiras à prova d’água.

Lembre-se que é importante higienizar as lancheiras todos os dias, principalmente em época de pandemia.

Existem as bolsas de gelo de gel que você coloca dentro do freezer e ele ajuda a manter a temperatura.

As bebidas devem ser transportadas em garrafas térmicas que ajudam a manter o frescor.

Os bolos com cobertura e recheios não são indicados pois acabam derretendo ou amassando e quando for consumido não estarão com bom aspecto, além disto normalmente contém muito açúcar.

Que tipos de potes são ideais para levar o lanche?

Adriana Costa – A princípio é importante que elas sejam atraentes de acordo com a idade de cada criança, para os menores escolha os mais lúdicos e para os maiores os designs mais arrojados e modernos. Existem potes que são térmicos, você pode encontrar em lojas especializadas ou sites que vendem produtos importados.

O pote deve ser escolhido de acordo com o tipo do lanche; se forem frutas cortadas que soltam caldos; utilize os potes com tampa com lacre de segurança.

Bisfenol

Alguns potes contêm bisfenol, um tipo de resina usada na produção dos plásticos, que pode afetar o sistema endócrino, trazendo danos à saúde e câncer. “Nunca aqueça alimentos dentro dos recipientes de plástico. Se for adquirir potes de plásticos procure os que contém o selo bisfenol free (BPA free). Existem opções seguras com preços acessíveis. Mas sempre que possível, de acordo com a idade das crianças, opte por recipientes de vidro, porcelana ou aço inoxidável”, alerta Adriana.

DICAS da nutri para lanches dos ADOLESCENTES:

Adriana revela que de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, na adolescência as necessidades nutricionais são influenciadas simultaneamente pelos eventos da puberdade e pelo estirão do crescimento. Os hábitos alimentares são determinados por fatores psicológicos, socioeconômicos e culturais.

“A adolescência é uma fase de muitas mudanças, é preciso saber lidar com esta galerinha, e tomar cuidado com a questão de que nesta fase tudo que é proibido se torna mais atraente. Alguns já começam a ficar mais vaidosos e a buscar opções mais saudáveis. É preciso conversar sobre a importância da alimentação saudável, mas sem proibir, porque ter atitudes muito severas pode fazer com que o adolescente venha desenvolver transtornos alimentares”, alerta Adriana.

Outro detalhe importante que a nutricionista destaca deve ser tratado com ajuda de um psicólogo. “Alguns adolescentes alérgicos sofrem bullying na escola. Assim as alergias alimentares podem ser a causa de angústia, preocupação, depressão e isolamento social, ocasionando um significativo impacto sobre a qualidade de vida deles e da família. Não queremos que o lanche da escola seja mais um gatilho para estes problemas, então se de vez em quando tiver que ofertar “produtos industrializados” escolha sempre as opções mais saudáveis”, explica.

Na maioria das vezes os alimentos industrializados que tiverem menos ingredientes nos rótulos são as melhores opções. Procure os rótulos que tiverem menor quantidade de sódio e maior quantidade de fibras.

Adriana sugere que, pensando no lanche dos adolescentes com alergia alimentar você deverá escolher um alimento substituto de acordo com a tabela em anexo na reportagem anterior.

Sugestões:

  • Salada de frutas, com opcionais (colocar em potinhos separados), mel, granola, castanhas, frutas secas)
  • Bolo integral (com cereais e castanhas)
  • Panqueca de banana com aveia e cacau
  • Tapioca com recheios
  • Sanduíches com pão caseiro (com recheios diversos, carne, frango, legumes)
  • Salgado funcional (com farinhas especiais; de grão de bico, linhaça, chia)
  • Chips de batata doce
  • Smoothie de frutas diversas

Referências:

BRASIL, Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a população brasileira, Ministério da Saúde, Brasília DF, 2014. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf

Sociedade Brasileira de Pediatria, Manual de orientação para alimentação do lactente, do pré escolar, do adolescente e na escola. Rio de Janeiro.

YONAMINE H, G; SARNI, R, O, S ;Terapia Nutricional: etapas envolvidas, in: COCCO ,R, R; MENDONÇA R, R; SARNI,R ,O, S;SOUZA, F, I, S, S; SOLÉ, D Terapia Nutricional na Alergia Alimentar em Pediatria, Ed Atheneu, 2019. (p.19/38).

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