Os tipos de escolas para alérgicos alimentares neste retorno às aulas.

Bianca Kirschner

Estamos retornando às aulas presenciais e temos lido e recebido relatos de pais de alérgicos alimentares. Eles estão sofrendo pela falta de informação de algumas escolas sobre alergias alimentares, acarretando no cancelamento de matrícula de alguns alérgicos e da rejeição do mesmo, devido à dieta de restrição alimentar e também devido à possibilidade da criança precisar da medicação, da caneta de adrenalina e a escola não concordar com a aplicação da mesma.

E como podemos ajudar? Com informações e análises.

Questionei meu grupo de colaboradoras, reli matérias, assisti novamente algumas lives.

Atualmente, parece existir 3 tipos de escolas:

1- Escolas que não compreendem – Existem escolas que simplesmente não entenderão, e a primeira coisa que vem à minha mente é como uma escola que não entende de restrições alimentares vai ser boa para o meu filho? Tenho que lutar para ele ser aceito?

Há leis federais e estaduais que garantem o fornecimento de alimentação especial para todas as escolas, porém muitas escolas não sabem disso. E, nesse momento, quando procuramos uma escola para nosso filho socializar, para desenvolver de forma saudável e segura suas habilidades motoras e intelectuais, devemos expressar nossa realidade, devemos falar, para que as pessoas entendam nossas dificuldades.

Quem nunca passou por uma restrição alimentar realmente tem dificuldades para entender. O caminho para buscar ajuda para que o alérgico alimentar seja acolhido na escola pode ser longo, envolvendo o CAE, que é o Conselho de Alimentação Escolar presente em todas as cidades.

Podemos manifestar a nossa necessidade de uma dieta inclusiva através desse conselho, caso a escola não esteja preparada. E, para quem precisa de mais auxílio durante esse início de inclusão, hoje contamos com o grupo Acolhimento Alimentar que se oferece através de mensagens de direct para guiar as famílias nos seus direitos dentro das escolas.

2- Escolas com empatia – Por outro lado, há escolas que irão demonstrar empatia. São escolas que sabem que existem alergias alimentares e se mostram flexíveis para se adaptar à rotina dos alérgicos alimentares.

Nesses casos, temos uma grande oportunidade de trabalhar no engajamento da nossa causa, pois existem vários projetos como o Conexão Alimentar dentro da causa de alergias alimentares, e na verdade TODOS que convivem com alergias alimentares também são protagonistas dessa causa.

Se a escola se mostrar receptiva, podemos apresentar materiais de apoio, como o plano de ação para emergência, receitas, lista de alimentos a serem evitados nas alergias alimentares, e compartilhar o caderno de referência sobre alimentação escolar para estudantes com necessidades alimentares especiais.

Também existem materiais, como livros lúdicos, que podem auxiliar os professores a explicarem sobre alergias alimentares para os alunos, como o Luisinho e a Alergia à Proteína do Leite de Vaca, da Turma da Celinha, e o Quero Brigadeiro, da Cibele Nascimento.

3- Escolas amigas dos alérgicos alimentares – Por último, há escolas que já são amigas e possuem alérgicos alimentares, que já entendem sobre dietas de inclusão. Mas, no dia a dia, ainda encontramos algumas oportunidades de melhora. Recentemente, aprendemos sobre uma iniciativa da escola La Salle Abel de Niterói chamada Escola dos Pais, que é um programa dentro da escola com o objetivo transcrito do site de “ transmitir aos pais princípios para o melhor desenvolvimento da criança e do adolescente por meio de apoio às famílias no enfrentamento de problemas cotidianos que trazem preocupação na educação dos filhos.”

Durante uma das lives em tempos de pandemia, nossa colaboradora Flavia pôde explicar juntamente com a nutricionista da escola como a família dela convive com alergias alimentares. Para as escolas que se abrem, incluir é algo trabalhoso, porém muito válido e engrandecedor.

Vamos nos manter atentos e conectados.

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