Feijão com arroz + carne e legumes: novos desafios e aprendizados

Nos últimos tempos todos temos vivido momentos desafiadores. A pandemia do novo coronavírus nos trouxe uma vida nova. Ainda não passamos pela crise sanitária, mas aos poucos os serviços vem retornando, de um jeito novo é verdade, mas estão voltando. Aqui em casa não foi diferente da maioria das casas em todo o mundo. Um susto inicial enorme, até que tivéssemos ideia do que estava acontecendo. E era realmente assustador! Ainda é uma loucura tudo o que um inimigo invisível e microscópico pode provocar. Quantas mudanças! Quantas perdas vemos. Não resta dúvida pra ninguém que este 2020 é um ano inesquecível.

Mas eu e minha família vamos nos lembrar dele também como um ano de muitas conquistas familiares, conquistas alimentares. Nos primeiros meses da crise conquistamos carne bovina e feijão preto. Tivemos uma consulta de rotina com o médico que acompanha a nossa prole alérgica alimentar e depois de exames, a autorização para novos testes, apesar dos tempos incertos.

Testamos um por vez. Não contamos nem a nossas mães e irmãos o que estávamos fazendo e seguimos. Expectativa é uma coisa muito séria. Eu confesso que nos meus desejos mais ocultos sempre pedi que nenhum deles morresse de alergia (ainda peço apesar de não deixar que esse pensamento me paralise) e que um dia tivéssemos um convencional prato brasileiro de arroz, feijão preto, legumes ou verduras e uma carne. Lembro perfeitamente que em orações dizia mentalmente que isso me deixaria muito feliz. Isso me deixaria satisfeita! O que a gente deseja geralmente acontece, porque trabalhamos por isso e porque as forças maiores que nós, escutam e nos ajudam.

Então aquele prato brasileiro chegou a minha casa, nos enchendo de alegria e curiosidade. Podemos comer feijoada! Podemos combinar arroz + feijão! A expectativa familiar era tanta que minha irmã chorou dentro do supermercado quando já terminando aquelas compras de pandemia, com todo o estresse possível e máscaras, além de muito álcool 70% disse a ela que só faltava o feijão! Ela me olhou espantada e aí eu me dei conta que não tínhamos contado a ninguém! Quando contei o que tinha acontecido ela chorou e pude ver as lágrimas de emoção escorrendo e molhando a máscara de tecido que a protegia de uma contaminação! Incrédula ela me perguntou: “vocês tem certeza mesmo?”. Nós tínhamos! Testamos, retestamos e testamos novamente.

O boi causou menos estresse e expectativa porque algum tempo atrás ele fez parte do nosso cardápio semanal, mas estava momentaneamente suspenso. Ele voltou! Temos agora “churrasco de verdade” e Tiel correu pro supermercado e comprou a melhor carne bovina que ele pôde. Preparou o prato que tanto gosta de comer e fazer, com todo zelo pros filhos. Ironicamente ele nunca tinha podido preparar um churrasco bovino pras crias. Quando testamos a primeira vez estávamos morando num apartamento que não nos dava essa possibilidade.

Os meses foram seguindo junto com a crise sanitária! Tiel voltou a atender seus clientes presencialmente. A equitação voltou para os três. Tudo diferente, com o jeito novo das máscaras, dos jatos de álcool e da falta de abraços, beijos e apertos de mão! Mas vimos que era possível retomar algumas rotinas. Voltamos a ir ao parque perto de casa e ao calçadão da praia para andarmos de bicicleta.

A vida vai seguindo, apesar da crise. Os aniversários aconteceram, o primeiro dentinho de Maria está mole e ela ansiosa pelo dia que ele vai cair! Na última semana ela está empenhada em abandonar as rodinhas da bicicleta e está como sempre sendo aluna aplicada e estressada dos irmãos!

Como dizem os sábios, o tempo é o melhor dos remédios e por agora o que nos resta é esperar por “dias melhores para sempre”. Esperar e cuidar para que as orientações dos cientistas sejam seguidas e que a gente tire sempre o melhor ensinamento de qualquer situação que passarmos. Eu prefiro ao invés de pedir fórmulas mágicas para curas imediatas, pedir sabedoria e fé para seguir, sempre com alegria e animação! Mesmo que isso inclua a alergia e uma pandemia..

Flávia Ribeiro Nunes Pizelli, jornalista, mãe de Pedro, Joaquim e Maria!

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