Panela da Ju leva felicidade para alérgicos alimentares

Juliana e Fabrício com as filhas Ana Sophia e Beatriz

Por Bianca Kirschner

Em 2015, após descobrir que o esposo Fabrício era celíaco, a Juliana, do “Panela da Ju”, originalmente um blog, resolveu entrar nesta seara de inclusão em produtos seguros para alérgicos alimentares. O empório foi lançado (@paneladaju).

“Queremos levar para todo canto do Brasil, mesmo para as menores cidades e até as mais afastadas, a possibilidade de uma alimentação segura. Eis o nosso empório, a extensão da nossa casa. TUDO SEM GLÚTEN, muitas opções sem leite, sem lactose, sem ovo e veganas.”, ela explica no “quem somos” do https://emporio.paneladaju.com.br. Além do e-commerce, o Panela tem uma loja física na cidade de Novo Hamburgo/RS,

Em 2016, Juliana também descobriu que era intolerante à lactose. “O meu caso é mais simples, porque tolero alguns produtos zero lactose, digo alguns porque o queijo, mesmo zero lactose, me faz passar mal”

Nesta entrevista ela fala um pouco desse desafio, da felicidade de cada entrega e do ideal maior do seu negócio.

“Os sonhos são imensos, os desafios incontáveis, mas me recuso a desistir de levar felicidade para cada pessoa que confia no nosso trabalho!”

Fale-nos um pouco da Panela da Ju, como surgiu, a história.

Em 2015, o Fabrício, meu esposo, foi diagnosticado celíaco. Eu, que na época nem sabia porque tinha a informação “não contém glúten” na embalagem, precisei estudar MUITO, para poder entender a condição.

No dia do diagnóstico, não tínhamos nada em casa sem glúten, até mesmo arroz e feijão tinham contaminação cruzada.

Fomos ao mercado e não achamos quase nada. Foi então que eu fiquei pensando, se nós, que estamos em uma cidade grande não conseguimos comer direito e quem está no interior? E quem não tem a possibilidade de sair rodando as cidades, em vários mercados, para achar o básico?

Dessa inquietação, sentada no chão da casa do meu pai, surgiu o Emporio Panela da Ju.

Eu deixei a minha carreira como mestre em Direito, professora de cursinho preparatório para concurso, para me dedicar a levar saúde e segurança para celíacos e alérgicos.

Quais foram os maiores desafios na jornada?

Para mim um super desafio claro: manter a segurança alimentar de celíacos e alérgicos.

Como sabemos, embora existam legislações excelentes no Brasil para nossa proteção, a indústria nem sempre cumpre, o trabalho de rastreamento de insumos e fornecedores é extremamente desgastante, toma bastante tempo.

Mas, isso pra mim é inegociável. Ou trabalho com segurança, ou não faz sentido manter uma empresa para esse público.

Como você analisa a conscientização por parte dos não alérgicos?

A meu ver, empatia seria a palavra; se colocar no lugar do outro, entender que não é uma frescura, mas uma condição de vida, a qual não escolhemos.

É mais ou menos como a cor dos seus olhos, não dá pra mudar.

Então, enquanto a tolerância não chega na alergia e após o diagnóstico da vida celíaca, a gente precisa conviver.

Se não há como mudar a nós, precisamos contar com a ajuda do outro. E amigos fiéis aparecem nessa hora e outros tantos “amigos” vão embora.

Na sua opinião quais as principais mudanças no mundo de produtos inclusivos?

Nós tivemos um boom de novas marcas sem glúten e veganas, mas infelizmente, muitas brincando com a saúde do consumidor.

Muitos acreditam que vender caixa fechada e com ficha técnica é o bastante para atender alérgicos e celíacos com segurança, mas o trabalho é muito maior que isso.

Mas também tivemos pontos positivos: a qualidade dos produtos melhorou demais. Embora ainda caros, o preço já caiu bastante também. A variedade de opções tem sido incrível.

Fale um pouco sobre a inspiração de sua história?

Quando eu decidi empreender no mundo para celíacos e alérgicos, isso aqui era só mato.

Um dia, uma mãe em desespero me mandou mensagem porque o filho não podia comer glúten, leite, ovo, soja, banana e amendoim.

Lembro que fui com ela no celular para o estoque e conseguimos achar uma série de alimentos para o filho dela. Fechamos a caixa, enviamos. Quando chegou, a mãe gravou o pequeno aos pulos “mamãe é verdade que posso comer tudo isso?” E ele dizia “mas isso é uma caixa de felicidade mamãe”.

Foi neste dia, que as nossas caixinhas receberam o nome de “caixinha da felicidade”, porque queremos, com todo coração, que alérgicos e celíacos sejam felizes e realizados, ao receberem em casa comida que possam comer, sem medo.

E sobre o futuro?

Um dos pontos críticos no e-commerce é o custo do frete, como estamos em um país continental, não dá pra ser diferente, infelizmente.

Então o projeto envolve a criação de pontos de apoio para despacho das mercadorias em alguns pontos estratégicos do Brasil.

E também ampliação das lojas físicas. Industrialização da nossa linha granel, que é apta para celíacos e alérgicos a proteína do leite.

Os sonhos são imensos, os desafios incontáveis, mas me recuso a desistir de levar felicidade para cada pessoa que confia no nosso trabalho!

Bianca Kirschner,
mãe de Lucas e Felipe,
é criadora e diretora
da plataforma Conexão Alimentar

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