Orientações da ASBAI frente ao novo coronavírus

A gripe é causada por muitos vírus. Os sintomas de gripe são febre, tosse, catarro, coriza e entupimento nasal. Alguns vírus são mais agressivos que outros. Esses vírus sofrem mudanças constantes, ficando um pouco diferentes de um ano para outro, por isso, nunca ficamos imunizados permanentemente contra eles.

O vírus que está se espalhando pelo mundo agora (pandemia) é da classe dos coronavírus, uma das muitas que causam sintomas de gripe. Já tivemos epidemia por um coronavírus, também de início na Ásia, em 2003. Ele tem comportamento semelhante aos vírus do grupo Influenza, no sentido em que pode causar um quadro respiratório mais grave, que chamamos Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS). À doença causada pelo atual coronavírus damos o nome de COVID-19 (Coronavirus disease de 2019, ano em que começou a aparecer). Para a doença respiratória grave causada pelo coronavírus atual, damos o nome de SARS-CoV-2.

Os sinais de alerta mais importantes para os quadros graves são: febre alta e dificuldade para respirar. Uma diferença em relação ao vírus influenza, é a maior facilidade de contaminação que esse coronavírus está apresentando: a infecção se espalha mais rápido do que acontece com muitos outros vírus que causam a gripe.

A maioria das pessoas (80%) que se infecta por esse coronavírus, apresenta quadros sem gravidade, de uma gripe comum (síndrome gripal) e não necessita de cuidados especiais. No entanto, 20% das pessoas, apresentam quadros respiratórios que necessitam de assistência médica, sendo 5% delas, quadros mais graves (a tal Síndrome Respiratória Aguda Grave), que necessitam de internação em unidade de terapia intensiva e uso de respiradores. A maior parte desses pacientes graves, sobrevive. A taxa de mortalidade total está em torno de 3%, mas as pessoas mais idosas e/ou que apresentam outras doenças, são as que têm maior risco de morrer. São doenças que aumentam o risco de um quadro respiratório mais grave pelo coronavírus, com mais risco de morte: doenças do coração, diabetes, doenças respiratórias crônicas, doenças ou uso de medicamentos que afetem a imunidade, principalmente.

As crianças se infectam tanto quanto os adultos e idosos, mas têm apresentado quadros respiratórios simples, sem gravidade (síndrome gripal).

Pessoas que apresentam alergia respiratória, asma ou rinite, e que estejam com seus sintomas controlados, têm o mesmo risco de se infectar que as outras pessoas. Aparentemente, não apresentam maior risco de ter a doença mais grave pelo coronavírus, mas podem ter seus sintomas de alergia piorados pela infecção, como pode ocorrer com qualquer outra infecção respiratória viral.

Pacientes em uso de medicamentos que afetam o sistema imune (imunossupressores), por exemplo, para dermatite atópica grave, são pacientes de risco para ter o quadro mais grave da COVID-19.

Pessoas com diagnóstico de alguma imunodeficiência primária, de maneira geral, apresentam o mesmo risco que todos para se infectar pelo coronavírus e apresentam riscos diferentes para ter a doença respiratória grave, dependendo do tipo de defeito do sistema imune. Pacientes com imunodeficiência combinada grave são os de maior risco, tanto antes como após transplante. Pacientes imunodeficientes que foram recentemente transplantados e/ou que usam medicamentos imunossupressores são pacientes em risco de ter quadros mais graves pelo coronavírus. Importante enfatizar que, os pacientes que apresentam defeitos na produção de anticorpos, que são as imunodeficiências mais comuns, a princípio não apresentam risco maior de infecção pelo coronavírus, nem de ter um quadro respiratório grave, mas apresentam sim, maior risco de uma complicação bacteriana após a infecção viral, como acontece com muitas outras infecções virais.

Pacientes que recebem imunoglobulina mensalmente não estão mais protegidos da COVID-19, pois os anticorpos que recebem, foram coletados do plasma dos doadores muito antes do início da pandemia. Por isso, nos produtos em uso, ainda não há anticorpos para esse vírus. Também por conta disso, não está indicado usar imunoglobulina para tratar quadros graves de COVID-19.

Como acontece para a maioria dos vírus, não há tratamento específico para o coronavírus. Muitos medicamentos que são usados para tratar outras infecções virais já foram testados para tratar a COVID-19: cloroquina, interferon alfa2B, antivirais usados para o vírus da AIDS, oseltamivir (usado para vírus influenza). No entanto, os resultados obtidos não justificam até o momento, seu uso em larga escala para tratar as infecções pelo coronavírus atual.

É evidente que pessoas saudáveis, com o sistema imunológico funcionando bem, têm mais chance de terem doença mais leve por esse vírus. E por isso, os médicos estão sempre chamando a atenção para a necessidade de investir em hábitos de vida mais saudáveis: atividades físicas, sono, alimentação, manejo do estresse e outras.

Não há qualquer evidência de que o uso de vitamina C, vitamina D, ou qualquer outra vitamina, ou produtos naturais, em excesso, sejam capazes de combater a COVID-19, nem qualquer outra infecção. Sabemos que a deficiência de muitos componentes em nosso organismo, pode causar fragilidades, mas isso não é a mesma coisa que dizer que tomar excessos desses mesmos componentes vá resolver doenças que têm outras causas, principalmente doenças infecciosas.

Não há, tampouco, uma vacina para o coronavírus até o momento. A vacina contra influenza que estamos recomendando, não é eficiente contra o coronavírus, mas ao ampliar sua aplicação, estamos reduzindo as infecções por esse outro vírus que também pode causar quadros graves, liberando o sistema de saúde para o atendimento da COVID-19.

Não há, então, ainda, nenhum tratamento conhecido para o coronavírus. A prevenção deve se concentrar em medidas de higiene.

O que sabemos é que o coronavírus é um vírus que se transmite por secreções respiratórias e, talvez, pelas fezes também. Por isso, as seguintes medidas para prevenir que você se infecte são muito importantes:

– evitar aglomerações;

– evitar contato próximo com outras pessoas (distância de pelo menos 1 metro);

– evitar cumprimentos com apertos de mãos, abraços ou beijos;

– não compartilhe talheres, copos, objetos de uso pessoal;

– sempre que estiver em ambiente onde muitas pessoas circulam, lavar as mãos com água e sabão ou álcool a 70º (gel ou líquido) frequentemente (a cada 30 a 60 minutos) e evitar tocar o rosto, olhos, boca.

O uso de máscaras não está indicado por pessoas que estejam saudáveis para evitar contaminação. Ao usar máscaras, é comum levarmos mais vezes as mãos ao rosto (para ajeitar a máscara) ou mesmo relaxar em medidas mais importantes, como lavar as mãos ou evitar cumprimentos próximos (pela sensação de falsa segurança).

Se você está com sintomas de gripe, é muito importante que tome as seguintes medidas:

– não saia de casa, nem procure assistência médica se estiver com sintomas leves (febre baixa, dor no corpo, coriza, entupimento nasal, tosse);

– lave as mãos ou use álcool 70º com maior frequência, particularmente após ir ao banheiro ou tocar em suas próprias secreções;

– se não puder evitar contato com outras pessoas, use máscaras e as troque com frequência;

– cubra a boca e o nariz quando tossir e/ou espirrar, usando lenços descartáveis;

– tenha maior cuidado com a lavagem de seus talheres, copos e outros objetos de uso pessoal.

Se você estiver com sintomas de gripe, deve procurar assistência médica apenas se tiver febre alta e/ou dificuldade para respirar. Você não deve procurar assistência apenas para saber se está infectado pelo coronavírus. Isso porque muitos outros vírus causam gripe e, ao procurar assistência, você se expõe ao coronavírus e ocupa o sistema de saúde (público ou privado) que deve estar disponível para os casos realmente graves.

Como não há tratamento ou medida preventiva específica, pessoas que estejam em grupo de risco para COVID-19 grave, devem ter ainda mais atenção aos cuidados que citamos aqui, particularmente evitar o contato com outras pessoas.

Na verdade, o distanciamento social (evitar contato com outras pessoas) é a medida mais eficiente para diminuir a velocidade de transmissão desse coronavírus. Apesar do percentual de pacientes graves não ser grande, se todos ficam gravemente doentes ao mesmo tempo, não há leitos de unidade intensiva, respiradores, vagas para todos os pacientes. Por isso, é importante que o contágio seja desacelerado. A recomendação de procurar trabalhar em casa, quando possível, evitar eventos, festas, churrascos, idas à praia, escola ou faculdade é para que o vírus não se espalhe tão rapidamente. Portanto, esse período de distanciamento social não pode ser encarado como um feriadão e utilizado para atividades de lazer que envolvam estar com muitas pessoas, da família ou não.

Para concluir, atualmente e, particularmente, diante do necessário isolamento social, o uso de redes sociais é muito grande. As medidas recomendadas estão em constante mudança, o que pode causar um pouco de confusão. É preciso evitar dar crédito ou divulgar informações de fontes desconhecidas, ou mesmo de médicos conhecidos que não sejam especialistas na área. Não dê crédito a quem promete curas milagrosas ou medidas preventivas 100% eficazes. É fundamental procurar informações na grande imprensa, em publicações de entidades médicas, do Ministério da Saúde ou conversando com médicos de confiança que conhecem sua doença.

Se você tem diagnóstico ou é responsável por alguém que tenha algum quadro respiratório recorrente, use medicamento imunossupressor ou imunodeficiência, deve ter atenção redobrada às medidas aqui mencionadas e sempre procurar seu médico em caso de dúvidas.

Diretoria da ASBAI.
http://asbai.org.br

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