Glícia Bonfim: os desafios de explicar que alergia é algo sério

Glícia Bonfim, Fortaleza – CE
Chef de cozinha inclusiva
@fabricadegostosurasalergicos

Quais são as suas alergias alimentares e em qual idade você foi diagnosticada?

Sou alérgica à proteína do leite, a ovos e tenho sensibilidade ao glúten não celíaca.

Meu diagnóstico veio após o nascimento dos meus três filhos, com 28 anos, que também nasceram com alergia alimentar múltipla.

Mas a alergia já existia provavelmente desde bebê. Eu era um bebê que não ganhava peso, que chorava demais e rejeitava o peito e as mamadeiras com leite de vaca, sempre tive uma barriguinha saliente, mesmo sendo magra na infância.

Como que é sua rotina com os cuidados necessários de quem vive com alergias alimentares?

Os cuidados que tomamos é ler sempre os rótulos para saber se possuem os alérgenos que não podemos consumir, solicitar laudos nas empresas, cozinhar quase tudo em casa para evitar qualquer tipo de contaminação, evitar os traços de utensílios domésticos, ou seja , nenhum utensílio que passou os alimentos que possuímos alergia pode ser utilizado por mim , nem esponjas de lavar pratos, copo de liquidificador, etc…

Você carrega algum medicamento ou usa?

Anti-alérgicos e corticoide. Eu deveria andar com caneta de adrenalina, mas infelizmente existe uma burocracia grande e aqui no Brasil não é comercializada, então precisamos pedir de fora do Brasil.

Você lembra quais eram os maiores desafios da sua família quando você foi diagnosticada?

Os maiores desafios foram: fazer a dieta, explicar para os familiares que era algo sério e podia morrer caso não seguisse o protocolo, a empatia das pessoas dizendo que só um pouquinho não fazia mal , a dificuldade de encontrar médicos especialistas no assunto, pois sofri a vida toda com muitos sintomas, enxaquecas e até infertilidade e não sabia que tudo isso era por conta das alergias. Outra dificuldade enorme era conseguir comprar alimentos seguros para consumo.

Você lembra do momento que sentiu que precisava seguir seus próprios passos e que sua família não estaria mais tão presente nos teus cuidados necessários do dia a dia?

O momento que eu segui sozinha foi depois que eu tive os meus filhos, pois se minha vida corria risco, os meus tesouros que eu passei tanto tempo esperando pra ter não podiam… Então fui chamada de louca, me isolei por um tempo, mas passei a fazer a dieta rígida.

Quais os desafios que surgiram com a adolescência e depois com a procura de trabalho?

Na adolescência, eu já era adepta de uma dieta saudável. Eu amava frutas e na minha casa sempre comíamos o mais natural possível, nada de fast food nem comidas de fora… Por isso, as reações eram bem espaçadas. Quando comecei a trabalhar, sempre levava comida de casa ou comia banana e outras frutas na hora do lanche.

Como é ser um adulto com alergias alimentares?

Ser um adulto com alergia é bem complicado, pois devido ao corre-corre, comidas rápidas e fáceis seriam bem mais oportunas. Por isso, muitos adultos arriscam e às vezes põe em risco sua vida.

Pois tudo tem que ser feito em casa. Hoje, sou dona de uma empresa de alimentação para alérgicos múltiplos, pois vi na minha condição a necessidade de suprir essa carência. Era algo que eu sentia falta.

Então, hoje, além de não correr risco, sou uma ponte para que outros alérgicos possam ser incluídos, porque comer não é só fisiológico, é um ato social.

Você é adulto com alergia alimentar?

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Meu nome é Fabiana Teodoro Fernandes, tenho 43 anos, moro em São Simão, interior de São Paulo! Sou alérgica múltipla, Leia mais

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