Eventos em grupo: hora de ser direto e franco

Por Bianca Kirschner

Preparar um jantar ou um almoço em casa para familiares e amigos já envolve bastante planejamento e quando sabemos que temos um alérgico convidado, o planejamento parece ficar ainda mais desafiador.

Uma aspecto importante do Conexão Alimentar é incentivar a comunidade a criar o hábito de sempre perguntar em almoços em grupo se tem alguém com alguma restrição alimentar que virá para o almoço ou jantar. Ou mesmo quando somos convidados para algum evento. Principalmente nessa época natalina.

Para tirar algumas dúvidas sobre essas situações, batemos um papo com a CEO do aplicativo NuRÓTULO, Maira Figueiredo.

Leia a entrevista:

Como fazer para perguntar de uma maneira gentil se alguém tem alguma restrição alimentar no grupo que será convidado?

A pergunta deve ser clara e objetiva sem grandes rodeios: “Estou pensando em fazer um jantar aqui em casa tal dia, por acaso você ou alguém da sua família tem alguma restrição a algum componente alérgico para que eu possa preparar um cardápio seguro e gostoso para todo mundo?”

Como informar os que não possuem restrição sobre a pessoa que está vindo e tem restrições, considerando que pode ser tanto adultos quanto crianças?

Com bastante naturalidade, explicando a situação: “Tal dia, farei uma recepção aqui em casa e teremos algumas pessoas com restrição aos componentes tal e tal… portanto, farei tal prato e pedimos a gentileza de não manipularmos esses alimentos nesse dia para que possamos todos passar por momentos agradáveis sem nenhuma ansiedade dos demais.”

Quais os cuidados às sinalizações dos pratos, bem como quanto a sentar na mesa e organizar o buffet?

Maira Figueiredo: tudo de forma clara e objetiva, sem grandes rodeios

Quanto a sinalização dos pratos, eles podem ser de cor ou formato diferentes para minimizar os erros, claro desde que a pessoa não se sinta pouco à vontade com essa situação. Na minha opinião, a segurança vem em primeiro lugar, mas caso a pessoa não queira passar por diferenciações marcantes, pequenos detalhes podem ser adicionados a pratos e talheres, como adornos de cores próprias previamente acordados entre anfitrião e convidado.

Lugares à mesa são fundamentais para minimizar as exposições desnecessárias, mas para que a pessoa não se sinta isolada deve ser naturalmente preparado sem GRANDES alardes.

Por experiência própria, muitas vezes preferimos levar a própria comida por medo de contato cruzado. E às vezes nos sentimos desconfortáveis, pois parece que não confiamos na pessoa que está preparando, mas na verdade é devido à gravidade da restrição. Qual a dica que você daria para que possamos explicar isso de uma maneira simples e gentil para o anfitrião?

Primeiramente, pode ser falado o grau de periculosidade da situação e o quão mal pode fazer uma micro partícula daquele alimento. Falar sobre os cuidados que você precisa fazer em casa e o motivo de você precisar levar pronta.

Explicando com naturalidade, as pessoas não costumam se opor e acabam facilitando o momento da partilha a mesa.

Também ocorre que às vezes existem opções seguras no cardápio para as pessoas com restrições, mas a pessoa não aceita ingerir devido a insegurança e medo? Como explicar isso para a pessoa que organizou tudo?

Em primeiro lugar, agradecer muito pela preocupação, pelo carinho, pela busca por informações e pela demonstração de amor se colocando no lugar do outro, mas que, no entanto, por ser extremamente perigoso qualquer pequena partícula, será necessário que a pessoa coma exclusivamente aquilo que levou. Pelo menos até que o alérgico ou a família entenda que aquela pessoa já está apta para cozinhar todo o alimento ofertado sem oferecer qualquer risco aos envolvidos.

Na minha opinião, não há outro caminho se não a educação. Levar informações reais e validadas sobre Alergia Alimentar para as famílias e amigos, contar seu dia a dia com naturalidade e frequência. Mostrar que não é um “bicho de sete cabeças”, são apenas cuidados com os quais a maioria não está acostumada.

É falar, falar, falar e falar no assunto. Aos poucos, vamos conseguindo mudar velhos hábitos, trazendo novas teias de afeto e amor.

Espero ter contribuído um pouquinho para esse assunto TÃO relevante e que me interessa bastante!

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