Entrevista com Andrea Rodrigues, criadora da Tina’s Bite.

Andrea Rodrigues, mãe de Valentina, 10, e Giovanna, 8, conversou com o Conexão Alimentar sobre alergias alimentares e seus vários aspectos em relação a familiares, amigos e à sociedade.

Falou também sobre a Tina’s Bite, empresa que cria diversas formas de identificação pessoal de alergias, muito útil para diversas ocasiões.

Leia a entrevista.

Como surgiu a ideia de fazer produtos de identificação de alergia alimentar?

Quando a minha filha Valentina nasceu, descobri que ela tinha alergia alimentar e até hoje ela faz anafilaxia a proteína do leite de vaca e ovo. Conviver com o risco de uma anafilaxia diariamente é uma condição estressante que aflige mães em todo o mundo, em todas as idades e condições sociais, por isso quando o meu fardo se tornou menos pesado – com a Valentina hoje com 10 anos sabendo explicar tudo sobre suas alergias -, comecei a pensar em como eu poderia ajudar outras mães a aliviar o stress diário de deixar um filho aos cuidados de outros.

Assim, um projeto que existia no meu coração há anos começou a tomar forma e Tina’s Bite chegou ao mercado brasileiro em 2020. Promover uma vida menos tensa e mais segura com nossas crianças alérgicas, a inclusão alimentar e a conscientização sobre os cuidados relacionados com essa questão se tornou minha missão de vida.

​Fale-nos um pouco da sua atuação no mercado de alérgicos e intolerâncias alimentares.

Estamos ativos no mercado desde Setembro de 2020 e já chegamos a vários estados do Brasil através de pessoas engajadas nesta causa.

Nossa missão é promover a inclusão alimentar sem riscos, através de identificadores de alergia para crianças, evitando exposição e contato acidental com alérgenos que possam causar reações graves. No ambiente escolar, por exemplo, encontramos nossa maior motivação justamente por ser um ambiente em que a criança passa boa parte do dia, correndo maior risco de ser exposta aos alérgenos que podem causar alergias graves e levá-la inclusive à morte em caso de reações anafiláticas onde o socorro não seja imediato.

Alertar a todos os envolvidos no cuidado de uma criança com alergia é fundamental para minimizar acidentes. Nossas pulseiras e adesivos surgiram com esse propósito.

Quais os maiores desafios da área?

O primeiro grande desafio é a falta de informação sobre o que de fato é a alergia alimentar e o quão grave ela pode ser. Muitos ainda dizem por aí que “alergia alimentar é frescura” em plena era da informação em que vivemos. Crianças, e mesmo adultos, morrem todos os anos devido a anafilaxia por ingestão de alimentos aos quais têm alergia. Uma reação anafilática, dependendo do grau de exposição ocorrido, pode levar a óbito em menos de 5 minutos se não houver socorro imediato.

Outro grande desafio está justamente no fato de que o medicamento de 1ª linha no tratamento de uma reação alérgica – a adrenalina autoinjetável, também chamada de Epipen pelo fato de este ser o nome da marca mais conhecida – não é regulamentada em nosso país e não pode ser comercializada em território nacional. Apenas o SUS pode administrar sua versão em seringa. Os pais precisam importar tal medicamento a preços absurdos, haja vista o imposto sobre medicamentos do Brasil ser o mais alto do mundo.

Toda criança com alergia alimentar precisa carregar consigo pelo menos um plano de ação para casos de emergência, uma bolsa térmica contendo pelo menos duas canetas de adrenalina autoinjetável, medicamentos específicos como anti-histamínicos e algum item de identificação de suas alergias e dos contatos para emergência. São condições mínimas para garantir a segurança desta criança. Infelizmente, esse direito ainda não é garantido no Brasil por falta de ação do governo através de decretos ou leis.

O que ainda falta nesse mercado na sua opinião?

Infelizmente, estamos muito mais muito longe do ideal. Falta muito para este mercado ter o mínimo para atender, de forma satisfatória, a demanda gigante por alimentos sem leite, sem ovo, sem glúten, sem soja, sem castanhas, sem corantes, sem amendoim, dentre outras opções.

Por exemplo, uma criança com alergia à proteína do leite de vaca (APLV) também tem o direito de comer chocolate e já existem algumas marcas que garantem segurança quanto à fabricação de chocolates sem traços de leite. O preço, no entanto, é absurdamente maior do que os chocolates convencionais vendidos no mercado porque a demanda ainda não é suficiente para produção em alta escala, como a dos chocolates convencionais.

Falta muito investimento nesta demanda alimentar, falta investimento em treinamento dos profissionais da área de alimentação, da área de saúde, falta atenção do poder público às necessidades específicas de saúde pública para esta parcela da população e, principalmente, falta interesse da sociedade em geral sobre este tema. Uma em cada 15 crianças, em média, tem algum tipo de alergia alimentar. Falta, sobretudo, um olhar mais humano para esta criança, dentre as demais, que tem restrições na alimentação, mas que não pode ter restrições em seus direitos. Por isso, estamos na luta pela inclusão e divulgação de informação para trazer consciência à sociedade sobre essa parcela desprivilegiada da população.

Acesse:
Tinasbite | Alergia Alimentar – Produtos de identificação

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