Crescem os atendimentos relacionados a alergias e para o risco das reações alérgicas graves no Brasil

Bianca Kirschner

Uma reportagem publicada pela Folha de São Paulo, em 14 de setembro de 2026, chama atenção para o crescimento dos atendimentos relacionados a alergias no Brasil e para o risco das reações alérgicas graves.

A matéria, assinada pelo jornalista Vinícius Lemos, apresenta dados do Ministério da Saúde sobre alergias de maneira ampla,  incluindo diferentes tipos de alergia e não apenas as alimentares. Segundo os dados apresentados, 40 pessoas morreram em decorrência de alergias no Brasil entre janeiro e junho de 2026. Desde 2022, foram registrados 499 óbitos.

Os números de atendimentos seguem o mesmo recorte geral: passaram de 30,9 milhões em 2022 para 44,5 milhões em 2025. Somente no primeiro semestre de 2026, foram registrados 24 milhões de atendimentos relacionados a alergias.

Portanto, esses números não representam casos ou mortes especificamente por alergia alimentar. Eles ajudam, porém, a dimensionar o impacto das doenças alérgicas e abrem espaço para uma discussão especialmente importante para a Conexão Alimentar: o risco de reações graves provocadas por alimentos.

E quando falamos especificamente de alergia alimentar?

Os alimentos estão entre os possíveis desencadeadores da anafilaxia, uma reação alérgica grave, que pode evoluir rapidamente e colocar a vida em risco.

Os sinais podem envolver diferentes sistemas do organismo e incluir, entre outros, dificuldade para respirar, inchaço, urticária, sintomas gastrointestinais, queda da pressão arterial, tontura ou perda de consciência. É importante lembrar que as manifestações podem variar de uma pessoa para outra e até entre diferentes episódios na mesma pessoa.

Diante de uma anafilaxia, a adrenalina (epinefrina) intramuscular é o tratamento de primeira linha. Por isso, pessoas com alergia alimentar e risco de anafilaxia devem conversar com seu médico sobre um plano de emergência individual, incluindo quando e como utilizar a adrenalina.

O desafio do acesso à adrenalina no Brasil

A reportagem da Folha de S.Paulo também aborda uma realidade conhecida por muitas famílias que convivem com alergia alimentar no país: os autoinjetores de adrenalina não são produzidos no Brasil e precisam ser importados. Segundo a matéria, duas unidades podem custar aproximadamente R$ 2 mil.

No SUS, a adrenalina está disponível em ampolas nos serviços de saúde para administração por profissionais. Mas, quando falamos de anafilaxia, existe uma questão fundamental: a reação pode acontecer longe de um serviço de saúde e evoluir rapidamente. Essa realidade reforça a importância da discussão sobre acesso à adrenalina e sobre a preparação de famílias, escolas e outros espaços para reconhecer uma emergência e agir adequadamente.

Prevenção vai muito além de “não comer”

Conviver com alergia alimentar exige cuidados que fazem parte da rotina de milhares de famílias. É preciso aprender a ler rótulos, reconhecer os alimentos e ingredientes que representam risco, compreender e prevenir o contato cruzado com alérgenos, comunicar a alergia em restaurantes e outros ambientes e garantir que familiares, cuidadores e escolas saibam como agir diante de uma reação.

Também é importante compreender que uma reação anterior leve não garante que uma exposição futura também será leve. A gravidade de uma reação pode ser influenciada por diferentes fatores e não deve ser prevista apenas com base em episódios anteriores.

Informação também é uma forma de proteção

Os números apresentados pela reportagem não são específicos de alergia alimentar, mas colocam as doenças alérgicas e suas possíveis consequências em evidência.

Para a Conexão Alimentar, essa é também uma oportunidade de ampliar uma conversa necessária: as alergias alimentares precisam ser compreendidas para além da restrição ao alimento.

Reconhecer os sinais de uma reação grave, ter um plano de emergência, saber quando utilizar a adrenalina e preparar as pessoas e os ambientes que fazem parte da rotina são medidas fundamentais para uma convivência mais segura. Quanto mais pessoas souberem reconhecer uma anafilaxia e entenderem a importância de agir rapidamente, mais preparada estará a sociedade para acolher e proteger quem convive com alergia alimentar.

Fonte: Ministério da Saúde, conforme dados fornecidos à Deutsche Welle (DW) e publicados em reportagem de Vinícius Lemos em 14 de setembro de 2026.

Fonte da reportagem: LEMOS, Vinícius. Quando uma alergia pode ser fatal? Deutsche Welle (DW), 14 set. 2026. Republicada pela Folha de S.Paulo – Equilíbrio e Saúde Quando uma alergia pode ser fatal? – 14/09/2026 – Equilíbrio e Saúde – Folha