Copo de adultos com restrições alimentares não entra bebida aleatória!

Por Flávia Ribeiro

Final de ano, comemorações, encontros, brindes! Fiquei a refletir como a vida de alérgico é diferente até quando cresce. Está cada vez mais comum encontrar adultos alérgicos ou com alguma restrição alimentar. Isso requer disciplina e cuidados. Na vida adulta a mamãe e o papai não estão cuidando da sua comida. Não fazem a sua marmita e não são os responsáveis por achar alimentos seguros ou por promoverem a sua inclusão.

Eu sou alérgica e depois que fiz dieta de exclusão de alguns alimentos para amamentar Maria, nunca mais consegui comer trigo, por exemplo. Há seis anos que parei de amamentar e desde então não consegui reintroduzir o cereal na minha dieta.

Minha mãe, dona Dirce, prestou atenção em receitas sem o ingrediente que está na casa de quase todos os terráqueos! Agora ela tem sempre pacotes de tapioca e de macarrão de arroz pra mim. Antes ela tinha sempre opções para as crianças e ficava chateada quando me oferecia um bolo tradicional e eu a lembrava que não podia!

Mas comer comida e bolo de mãe é um sonho, ainda mais que não moramos na mesma cidade. No mundo real, a mãe que cuida de comidas inclusivas sou eu! Minhas crias ainda dependem das minhas escolhas, mas divido com Tiel as compras e buscas por novidades. Os meus filhos estão sendo treinados para saberem se virar sem a gente e para não saírem por aí se arriscando. Mas pode ser que no futuro eles tenham sentimentos parecidos com o que eu vivo às vezes.

A cerveja

Eu nunca fui uma pessoa que tivesse hábito de ingerir bebidas alcóolicas, mas depois que perdi o trigo perdi também um eventual chope ou cerveja. Na época eu pensei: “Tô” nem aí pra cerveja! Eu sinto falta mesmo é de bolo de comer com café e de bolo de aniversário que minha família inteira faz.

Mas com o passar dos meses e um marido cervejeiro eu comecei a sentir falta de poder beber a cerveja dele. Não era a falta de beber. Era a falta de poder. Eu nem falei, mas Tiel achou cervejas sem glúten pra mim. Até bebeu algumas comigo. Agora a loja de conveniência do posto de combustíveis na esquina da nossa casa tem cerveja sem glúten! Posso dizer que as que já provei tem o cheiro das que meu pai e minhas tias saborearam quando eu era criança e tem sabor de cerveja mesmo. São bem legais. Mas quase não as bebo. Decididamente não gosto de cerveja, mas é bom saber que tem uma possível na esquina!

Mudança de hábito

Vitor Menezes

Pensando em adultos que não bebem cerveja, lembrei de Vitor Menezes, 47 anos, um jornalista e professor universitário campista, meu contemporâneo de faculdade, que bebeu muita cerveja na vida até descobrir uma doença que tinha como tratamento o corte do glúten e consequentemente, da cerveja!

Em exames de rotina há 10 anos ele descobriu que tinha hipotireoidismo de hashimoto e o médico sugeriu que parasse de comer glúten, como forma de preservar a glândula tireoide, que estava sendo atingida. “Eu me adaptei à dieta. Fiz as mudanças necessárias e o problema não avançou. Sou disciplinado. De quebra isso me ajudou a manter o peso porque eu não posso comer besteiras como salgadinhos e coisas parecidas. Acabei descobrindo o vinho e nem gosto mais de cerveja! Me pergunto se já gostei algum dia ou se só tomava por causa da resenha”, revela com bom humor.

Leite e ovo no vinho

Mas a restrição dos adultos não é comum apenas à cerveja e ao glúten. Assim como na infância, existe quem tenha alergia a leite e ovo e a muito mais ingredientes. Mas aqui nesta história vamos falar apenas sobre cerveja e vinho, o tinto e o branco! Outro dia conversando com a Bianca sobre as descobertas que ela fez sobre contaminação de leite e ovo em vinho fiquei pensando que a gente tem sempre muito a aprender. Eu já tinha ouvido falar que vinho podia ter contaminação por leite e ovo, mas confesso que não acreditava muito. Mas é verdade, gente! Como eu não tenho restrição a ovo e leite e como criança passa longe de vinho eu não pesquisei e não sabia. Inacreditável, mas o leite e a clara do ovo são usados em alguns processos de clareamento de vinhos.

Enquanto as crianças são crianças, eu fico tranquila com isso, mas e a vida adulta? Nos reserva mais aprendizados e descobertas, além de trabalho de conscientização permanente. Apesar de todas as surpresas, está cada vez mais fácil viver com alergia alimentar, desde que a gente se proponha a aprender, pesquisar e viver fora da caixa. Buscando sempre uma melhor qualidade de vida, com rótulos claros e honestos!

Feliz Natal e um ótimo Ano Novo pra você! E muitos brindes seguros! Leia os rótulos e estude, mas não deixe de brindar por causa da alergia alimentar!

Flávia Ribeiro Nunes Pizelli, jornalista,
produtora de conteúdo e mãe de alérgicos!
E-mail: ribeironunesflavia@gmail.com

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