Conhecimento é tão importante como aprovação de leis.

Bianca Kirschner e Manoel Fernandes Neto

Muitos projetos de lei sobre intolerância e alergias alimentares – e a alimentação nas escolas públicas e privadas – têm sido aprovados em cidades e estados brasileiros. Para ficar com alguns exemplos, podemos citar as cidades de Cuiabá-MT e Jundiaí-SP e o estado do Amazonas, além de várias cidades no estado de São Paulo que buscam adotar essas iniciativas por meio de suas câmaras municipais.

A atitude é louvável para que esse assunto entre na pauta executiva e legislativa. Mas devemos alertar que a letra da lei por si só não resolverá o problema na alimentação escolar segura, seja pública ou privada. Pode até piorar uma situação em muitos casos.

As perguntas que devem ser feitas são: como colocar essas leis em prática após entrarem em vigor? Quais os instrumentos para sua aplicabilidade para que elas tragam benefícios reais? E mais importante: como não espalhar uma “falsa segurança” de que tudo está resolvido por causa de uma lei?

Projetos de leis sobre intolerância e alergias alimentares são importantes, mas também são necessárias outras ações associadas a eles. Tirar do papel algo tão essencial para vida de milhares de pessoas passa por esclarecimentos profundos. O conhecimento é o que salva vidas.

Os primeiros passos são oferecer instrução para profissionais de cozinha nas próprias escolas ou terceirizadas com uma série de novos saberes, tais como a gravidade do contato cruzado e a diferença entre intolerância e alergia alimentar, além de envolver nutricionistas diretamente com o assunto.

Alimentação nas escolas com segurança alimentar não pode ser tratada como algo genérico em casos de alergias. Existem especificidades para lidar com alimentos para alérgicos que evitam quadros graves, agudos ou crônicos. Sem um embasamento, uma merenda feita na escola torna-se muito mais perigosa do as que são feitas nas próprias famílias pelas mães ou responsáveis na supervisão.

O momento é esse. Devemos ficar atentos a essas medidas necessárias, mas insuficientes, em relação às alergias e intolerâncias alimentares em nossas escolas. O portal Conexão Alimentar acompanha o assunto.

Educar as pessoas por cursos e campanhas é tão importantes quanto a aprovação de leis.

 

Bianca Kirschner é criadora e diretora do Conexão Alimentar

Manoel Fernandes Neto é jornalista e editor do Conexão Alimentar.

Lei do cardápio adaptado é assinada em São Paulo-SP

Da redação do conexão, com informações da Assembléia Legislativa de São Paulo. Nova Lei Estadual assinada em dezembro no Estado Leia mais

Projeto assegura merenda adaptada para estudantes do Amazonas

Manaus - Um Projeto de Lei (PL) em tramitação na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) tem objetivo de oferecer merenda Leia mais

Jundiaí – SP: Mais de 400 crianças lutam contra a restrição alimentar

O número de crianças com restrição alimentar na rede pública de ensino tem aumentado. De acordo com o Departamento de Leia mais

Conexões para construir o amanhã

Por Bianca Kirschner e Manoel Fernandes Neto Neste final de 2020, vamos compartilhar reflexões sobre o projeto Conexão Alimentar, sobre Leia mais