Conheça o Coletivo Acolhimento Alimentar (Piracicaba-SP)

O coletivo de Acolhimento Alimentar em uma de sua ações de conscientização.

A história do Coletivo começa lá em 2015, quando um grupo de mães se mobilizou para que crianças que possuíam necessidades alimentares especiais e suas famílias pudessem ser incluídas nas atividades cotidianas e de lazer de uma dada comunidade escolar. Conforme o diálogo nessa escola foi se fortalecendo e alcançando um público cada vez maior, o Coletivo foi, aos poucos, tomando forma: primeiro surgiu uma barraca nas festas escolares, a barraquinha do Acolhimento Alimentar, onde se produziam alimentos seguros que podiam ser compartilhados por pessoas que tinham restrições dietéticas. O sucesso foi quase instantâneo e a barraca ficou tão conhecida que vinham pessoas de outras cidades participar de festas que antes eram proibidas para elas. Depois, os esforços foram voltados para implantação de práticas pedagógicas inclusivas e capacitação para atendimento de urgências anafiláticas nessa mesma unidade escolar.

Finalmente, em dezembro de 2017, o grupo formado por Érica Speglich, Heloíze Milano, Nielle Diniz e Talita Teixeira oficializou o Coletivo Acolhimento Alimentar para atuação além dos muros desta escola. Para nós, já não cabia mais atuar somente ali, porque era óbvio que a falta de inclusão alimentar e práticas pedagógicas inclusivas era uma realidade experienciada por todas as famílias cujas crianças conviviam com restrições dietéticas no município. Assim, não foi nenhuma surpresa quando, no mesmo ano, constatamos a dificuldade no acesso à alimentação especial por escolares com comprovada necessidade de dieta restritiva nas escolas que fazem parte do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), no município de Piracicaba.

Foi aí que começamos a aprender a mexer nas estruturas da cidade e reivindicar aquilo que é direito de todas as crianças: alimentação escolar segura, saudável, adequada e inclusão pedagógica e social. O recém criado Coletivo reivindicou os espaços de diálogo com o poder público, acompanhando ações e denunciando falhas no atendimento das necessidades, visando garantir assistência igualitária e a segurança alimentar e nutricional desses estudantes que precisavam de atenção específica. Em paralelo, foi estabelecido um canal para orientar famílias sobre os direitos dos alunos com necessidades alimentares especiais garantidos pela legislação e respaldado pelo PNAE. Esse duplo movimento resultou na aquisição, pela primeira vez, dos gêneros alimentares diferenciados para compor o cardápio dos estudantes com necessidades alimentares específicas nas escolas municipais.

Ao longo dos anos, a atuação do Coletivo Acolhimento Alimentar tem se pautado na interlocução com diferentes atores sociais envolvidos direta ou indiretamente na questão, como o Conselho de Alimentação Escolar de Piracicaba, Defensoria Pública do Estado, Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil, Movimento Põe no Rótulo, Amigos do Diabetes – Piracicaba, Observatório Social, entre outros. Uma proposição de ação legislativa na Câmara de Vereadores de Piracicaba pelo Coletivo culminou na instituição da Semana de Conscientização da Alergia Alimentar de Piracicaba, pelo Decreto Legislativo 17/2018 de autoria da vereadora Nancy Thame.

A Semana de Conscientização tem sido um instrumento necessário na atuação do Coletivo Acolhimento Alimentar no combate à invisibilidade das pessoas que convivem com necessidades alimentares especiais, tal qual a alergia alimentar e a doença celíaca. Mais recentemente, uma parceria com a Escola do Legislativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba permitiu a criação de alguns cursos de divulgação do tema ampliando ainda mais o alcance da informação. E, para nós do Coletivo Acolhimento Alimentar a informação é primordial para a conscientização e inclusão.

Durante todo o ano, o Coletivo oferece palestras e oficinas para estudantes, público em geral e para profissionais da área de alimentação com o intuito de ampliar o conhecimento, não só respeito das necessidades alimentares especiais, como também dos cuidados necessários na manipulação de alimentos para evitar o contato com alérgenos. Aulas práticas com receitas simples e totalmente sem a presença dos principais alérgenos auxiliam a desmistificar a ideia de que a alimentação especial é insossa e difícil de ser executada.

Nossas ações podem ser acompanhadas através do Facebook https://www.facebook.com/acolhimentoalimentar/ . Por meio desse canal também nos dispomos a tirar dúvidas e dar orientações gerais a respeito da inclusão alimentar nas escolas públicas brasileiras.

 

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