Alergia Alimentar e o Transtorno do Espectro Autista.

Alergia alimentar (AA) é definida como uma reação adversa a um determinado alimento. Envolve, obrigatoriamente, um mecanismo imunológico e tem apresentação clínica muito variável, com sintomas que podem surgir na pele, no sistema gastrointestinal e respiratório. As reações podem ser leves com simples coceira nos lábios até reações graves que podem comprometer vários órgãos. A Alergia Alimentar é uma resposta exagerada do organismo a determinada substância presente nos alimentos.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é composto por um grupo de condições heterogêneas que afetam o desenvolvimento neurológico. Os sintomas se manifestam precocemente, durante a fase do desenvolvimento da criança e são caracterizados por alterações na comunicação, na interação social e padrões restritivos e repetitivos de interesses, comportamentos e atividades. Um aspecto bem conhecido em pacientes com TEA são as alterações no comportamento alimentar, sendo descrito aversão a alimentos, seletividade, recusa a determinadas texturas ou a combinações alimentares desconhecidas, além disso, alguns medicamentos também podem ter efeito na redução do apetite.

Recentemente foi sugerido que existe relação entre alergia alimentar e TEA. Alguns trabalhos propõem interações complexas entre o cérebro e o trato digestório, conhecido como eixo intestino-cérebro (EIC), em que estão envolvidos os sistemas nervoso, endócrino e imunológico. A partir desse conceito e com o objetivo de melhorar o comportamento e a aprendizagem de crianças com TEA, foram propostos tratamentos dietéticos com a exclusão de determinados alimentos (como exemplo, leite de vaca e trigo). No entanto, estudos cientificamente adequados não confirmam essa hipótese e, nesse caso, terapias com exclusão de alimentos são inadequadas para esses fins. Apesar de existir, sim, na maioria dos pacientes com TEA, o aparecimento de sintomas gastrointestinais, como diarreia ou constipação, dor e distensão abdominal, a relação desses sintomas com alergia alimentar nesses pacientes é controversa e não confirmada.

A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) demonstra preocupação com as divulgações inadequadas desse tema e esclarece que essa hipótese de relação entre AA e TEA não deve ser considerada como uma verdade e, portanto, não considera tratamento dietético a ser aplicado nesta prática clínica.

Restrição alimentar desnecessária e sem o devido acompanhamento pode intensificar os prejuízos nutricionais, a rejeição social, a estigmatização, o surgimento de dificuldades alimentares, ou seja, potencializar os efeitos do próprio TEA.

É claro que, alergia alimentar ou hipersensibilidade, intolerâncias alimentares podem ocorrer nesses casos, assim como, na população em geral. Entretanto, o tratamento dietético só se aplica após diagnóstico estabelecido e com acompanhamento adequado por equipe multiprofissional.

Juliana Fernandez Santana e Meneses

Nutricionista graduada pela Puc-Campinas em 2000. Mestre e Doutoranda em Ciências Aplicadas à Pediatria pela Unifesp – SP. Nutricionista do Ambulatório de Alergia da UNIFESP e em Consultório Particular, com enfoque de atendimento em alergia alimentar e nutrição clínica pediátrica.

http://asbai.org.br/
https://www.sbp.com.br/

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